quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Introspeção

"Se te abraça quando nada tens: então tens tudo.” Pedro Chagas

Temos tudo quando conseguimos sorrir de orelha a orelha independentemente do cinzento do céu e da chuva, que corre impiedosa e lava a alma das ruas. Temos tudo quando aproveitamos cada minuto do Inverno que parece não acabar. Temos tudo quando ouvimos "queres desabafar ou não queres falar sobre isso?". Temos tudo quando recebemos um abraço mesmo quando a distância física se multiplica por km e km. Temos tudo quando ouvimos uma voz do outro lado do mundo, entrecortada pela ciumenta tecnologia,  e estremecemos. Temos tudo quando contamos os dias, fazemos contas de cabeça, alinhamos diferenças horárias a dois. Temos tudo quando estamos juntos, mesmo que separados.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Palavras sábias III



"Ouvi alguém perguntar, a uma outra pessoa que nem sequer conhecia.

Sim. 
Por vezes dói. Como o algodão embebido em álcool cicatrizante, que também dói, quando colocado em cima da ferida. O que dói não é a verdade, nem o álcool. Aquilo que dói é a ferida. Curá-la, é primeiro compreender o que está mal e precisa ser tratado. E isso não se consegue gritando que está a doer. Pode-se gritar á vontade, na certeza porém que os gritos nunca irão curar ou acalmar a dor. O álcool, assim como a verdade é que se encarregará de curar e restabelecer as feridas. 
O que provoca as feridas e que realmente faz doer, não é a verdade.
É a mentira. E a mentira pode surgir por muitas razões: o receio das consequências, a insegurança a baixa autoestima ou quando se pretende fazer passar uma imagem, melhor do que a que verdadeiramente se tem. E há pessoas, que tendem a sentir que a mentira é aceite em algumas ocasiões ilibando de responsabilidades. Criando tendência para a banalizar e considerando-a uma forma de facilitar a integração na sociedade. Muitas vezes, os que não a utilizam são mesmo catalogados de ingénuos, cultivando a ideia, de que não ser descoberto numa mentira, é o mesmo que dizer a verdade. Há pessoas que vivem a vida num palco em interpretações e o que é uma ótima interpretação, senão uma mentira muito convincente? E a partir do momento que começa a interpretação ela não pode parar colocando mentiras em cima de mentiras. Armstrong diz no recente documentário sobre a sua ascensão e queda: "Não vivi muitas mentiras, apenas vivi uma muito grande".
É em casa e junto da família que se devem encontrar exemplos de verdade e honestidade, que fomentem as atitudes de sinceridade. Porque a mentira existe ao longo de toda uma escala patológica e a saúde mental só é compatível com a verdade." daqui

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Palavras sábias II

"Uma relação entre duas pessoas que se amam tem de se basear na capacidade de erigir um edifício. Pedra a pedra. Tijolo a tijolo.
Poucas obras de engenharia são mais complexas do que uma relação entre duas pessoas que se amam.
Nenhuma obra de engenharia é mais complexa do que uma relação entre duas pessoas que se amam.
Nada é mais exigente fisicamente do que uma relação entre duas pessoas que se amam.
Tem de haver uma entrega absoluta. Até à última gota. Para que cada pedra esteja no local certo. E por vezes há que caminhar quilómetros com essa pedra às costas para a colocar no local certo. Nem mais um centímetro à frente nem mais um centímetro atrás.
Cada pedra que constróis também pode ser cada pedra que destrói, que faz derrubar todo o edifício.
Todas as relações são feitas de pedra. Mas está na nossa mão. Está na mão dos dois constituintes de uma relação entre duas pessoas que se amam definir se a pedra serve para separar ou se a pedra serve para unir.
Todas as relações são feitas de pedra.
E é assim que construo. É assim que pela primeira vez construo. Estou a construir. Digo-te cada verdade e sei que estou a colocar as pedras que nos separavam nos locais certos. Para que o edifício cresça quando já estava quase a cair. Para que possas depois perceber se queres construir comigo ou se queres que tudo isto que somos caia de vez.
Olho-te nos olhos e sei que choras. Sei que choras a cada verdade que te entrego, a cada pedra que te coloco nas mãos.
Não sei se terás força para as suster, se terás força para as aguentar, para as suportar dentro de ti. Não sei se algum de nós conseguirá levar mais longe este edifício.
Mas sei que me sinto enfim a ser eu em ti como tu sempre foste em mim.
Todas as relações são feitas de pedra.
Há que construir.
Há sempre que construir.

Só quem ama pode morrer; os outros podem apenas continuar mortos
".

Pedro Chagas Freitas in In Sexus Veritas via

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Bandas sonoras


Há algum tempo que descobri que as pessoas, no geral, oferecem-me bandas sonoras para a minha vida. E é quase injusto que o façam, porque recebo muito mais pérolas do que as que ofereço. A minha cultura musical tem-me sido oferecida em bandejas de ouro pelas pessoas que mais vou amando. E digo, sem pudor, ouço com mais atenção quando as músicas me são dadas a conhecer pelos que me tocam a alma.
São tatuagens que me vão ficando. Porque uma vez que associemos alguém ou um momento a uma melodia nunca mais a ouço da mesma forma. É impossível abandonar as memórias que se cravam numa melodia, que se espelham numa letra…
E é este poder que me fascina. Se as pessoas tivessem noção disto, tenho a certeza que não ofereceriam músicas tão levianamente. Escolheriam a dedo a quem as iam oferecer para não correrem o risco de darem pérolas a porcos.
E esta partilha, que é quase uma dança, é, para mim, um ponto fulcral para criar os primeiros laços. Creio, cada vez mais, naquela história do “não se ama alguém que não ouve a mesma canção”. Cliché, mas tão verdade…

Palavras sábias

".. i guess what i'm saying is that i like being alone, 
but i hate being lonely. 

a idade traz-nos certas coisas que nos fazem saber viver melhor. uma delas é a capacidade de estar sozinho. que é diferente de ser solitário (estar só). estar sozinho é, num determinado momento - horas, dias - viver, fazer, estar sem companhia. mas saber que existem várias pessoas, amigos, amores, que nos acompanham onde quer que estejamos. que estão sempre connosco. ser solitário, é alguém que vive sempre longe dos outros. fisicamente e sentimentalmente.
a maioria das pessoas não é nenhum dos dois. pelo contrário. porque vivemos em sociedade, e cada vez mais em comunidade, as novas famílias são os amigos, sendo que há sempre alguém comunicável, presente, à distância de um clic, que nos garante a companhia e a conversa. mas também por essa facilidade, às vezes cai-se no oposto de nunca estarmos sozinhos. sempre on-line.

conseguir estar bem, sozinho, dá-nos a serenidade de saber que somos auto-suficientes, e capazes de aproveitar as coisas boas da vida só por nós. uma música, uma paisagem, um livro, um pôr-do-sol. ou apenas um dia sozinho, sem conversa, sem troca de opiniões, de olhares sequer. cura de silêncio. estar sozinho, ajuda a pôr os sentidos em ordem, alinha o pensamento, o que somos. por isso, às vezes precisamos de estar off. e isso não nos afasta de quem gostamos. pelo contrário. aproxima. pela saudade que se sente, pela vontade de na próxima vez estarmos juntos. já naquele momento. gosto de pessoas que são capazes de estar bem sozinhas. porque essas eu sei que quando estão comigo, é porque eu lhes acrescento algo mais na vida. estão por opção, e não por necessidade/hábito de companhia permanente.

difícil é quando somos obrigados a ficar sozinhos, afastados de alguém num momento em que não desejávamos. naquelas alturas que estamos sozinhos não por opção, mas por contingências da vida: trabalho, viagens, deslocações, barreiras familiares. mas é precisamente aqui que quem gere bem "estar sozinho" convive melhor. porque estar afastado não significa estar desligado. porque não estar presente, não significa estar ausente. quando se é parte de alguém, sabe-se que mesmo longe, quem gosta, quem se quer, quem ama, está sempre presente. porque estar sozinho é diferente de estar só.." daqui

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Alma irmã


Sem darmos conta, as pessoas surgem na nossa vida. Sem darmos conta, alguém que não conhecíamos é, afinal de contas, uma alma irmã.
Há alguns meses conheci a minha alma irmã. Alguém que me abraçou com o coração e que me encheu o espírito. E não, não é prematuro dizê-lo. Sei-o. Sei-o com segurança. Sei-o com a segurança de quem sente que essa pessoa me abriu as portas da sua casa, que me recebeu na sua vida de braços abertos, que arrumou o seu coração para me receber da melhor forma...
Hoje, num daqueles dias que são menos bons, tive a certeza de que ela era minha alma irmã. Amanhã o dia vai ser melhor e a certeza de que esta alma irmã estará aqui para o partilhar preenche-me o coração.

Reticências


Amor é dar laços em vez de nós...

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Bienvenue



Cheguei à conclusão de que preciso de escrever. Deambulo diariamente pela internet, faço scroll down durante horas infinitas, repino até me doer os olhos e reblogo imagens que põem a nu o meu coração. Mas não escrevo... Ou melhor, a minha escrita pára (acho que aqui não tenho de escrever com o novo acordo...)  algures entre aquele que é o meu trabalho e os caracteres que distribuo entre os posts no facebook e os sms que envio. Foi por isso que hoje, um dia tão bom como qualquer outro, decidi que tenho de escrever. A decisão foi tão forte quanto repentina mas, de uma coisa não havia dúvidas, era imperativo que este blog fosse criado. Bom, primeira fase ultrapassada.
Passada a obsessão da criação, veio a dúvida. Vou escrever sobre quê? (Raios!) Acabaram as certezas. Não, não vou desistir. Hei-de escrever sobre tudo... (Fantástico!) Não, não vou desistir. Relembro o objectivo: preciso de escrever. Portanto, sim, “sobre tudo” parece-me um bom tema.
Hei-de escrever sobre poesia, sobre paisagens, sobre pessoas, sobre ideias, sobre paixões, sobre aquilo que me faz vibrar,... Sim, parece-me que o tema “sobre tudo” é suficientemente abrangente. (Feito!) Acho que consegui alcançar a segunda fase: o tema.
Esperem! Preciso de escrever, é verdade, mas não posso publicar nem uma fotozinha, sequer? Nem pensar! (Esta cena de falar para o infinito numa terceira pessoa do plural é muita estranha) Vá, vamos arranjar um meio termo... Balanceemos uns caracteres com umas imagens. Para dizer a verdade, ando a fotografar de menos também...
Enfim, menos análise e mais acção. Dou por inaugurado este diário. Seja bem-vindo, quem vier por bem.