Há algum tempo que
descobri que as pessoas, no geral, oferecem-me bandas sonoras para a minha
vida. E é quase injusto que o façam, porque recebo muito mais pérolas do
que as que ofereço. A minha cultura musical tem-me sido oferecida em bandejas
de ouro pelas pessoas que mais vou amando. E digo, sem pudor, ouço com mais
atenção quando as músicas me são dadas a conhecer pelos que me tocam a alma.
São tatuagens que
me vão ficando. Porque uma vez que associemos alguém ou um momento a uma
melodia nunca mais a ouço da mesma forma. É impossível abandonar as memórias
que se cravam numa melodia, que se espelham numa letra…
E é este poder que
me fascina. Se as pessoas tivessem noção disto, tenho a certeza que não
ofereceriam músicas tão levianamente. Escolheriam a dedo a quem as iam oferecer
para não correrem o risco de darem pérolas a porcos.
E esta partilha, que é quase uma dança, é, para mim, um ponto fulcral para criar os primeiros
laços. Creio, cada vez mais, naquela história do “não se ama alguém que não
ouve a mesma canção”. Cliché, mas tão verdade…
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